IA pode ajudar no combate a mudanças climáticas, mas isso tem um preço

No universo científico, chega a ser difícil definir limites para a Inteligência Artificial (IA). Há, para grande parte das pesquisas, a alternativa de “vamos ver se funciona com Inteligência Artificial”. Uma desses últimos testes foi no combate a mudanças climáticas e o resultado foi positivo. Porém, tudo isso vem com um preço.

No quesito mudanças climáticas, a Inteligência Artificial pode ajudar não só em um, mas em uma variedade de aplicações, como fazer previsões climáticas melhores, auxiliar na tomada de decisão para relacionadas a indústrias, edificações, transportes, alocação de energia renovável, etc. Tudo isso chega em uma época em que há grandes questionamentos sobre o que pode ser feito sem comprometer o “conforto” humano no planeta Terra, ou seja, sem ter de promover mudanças radicais em nosso modo de vida.

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Imagem: tpr.org

Porém, é preciso ter cautela no uso de IA. Não é como se ela fosse a tecnologia revolucionadora que vai resolver todos os nossos problemas de um dia para o outro e vamos viver felizes para sempre. Tudo tem um preço, afinal, sabemos que “grandes poderes vem com grandes responsabilidades”. O preço da Inteligência Artificial é, justamente, sobre sua pegada de carbono.

A pegada de carbono é a medida da emissão de carbono emitida por uma pessoa, atividade, processo, organização, etc. Claro que há toda a incerteza e os questionamentos sobre o que foi considerado nas escolhas feitas por algoritmos. Porém, quando falamos de mudanças climáticas, o principal problema é que a IA, que pode ter soluções razoáveis, gasta muita energia e não é um processo sustentável.

O armazenamento e processamento de dados para treinar algoritmos requer muitas máquinas ligadas (máquinas poderosas que gastam uma energia significativa). Para se ter uma ideia, a área de tecnologia da informação é semelhante à da aviação em termos de emissões de combustível. Embora não seja normal parar para pensar sobre isso, mas a aviação emite uma quantidade considerável de produtos na atmosfera.

Na Europa e no Canadá, por exemplo, há centros de dados que consomem tanta energia quanto uma cidade pequena. Um estudo da Universidade de Massachusetts (EUA) mostrou que o treinamento de um grande modelo de IA para lidar com a linguagem humana pode emitir cerca de 300.000 kg de equivalente de dióxido de carbono. Isso é aproximadamente cinco vezes a emissão de um carro nos EUA (considerando seu processo de fabricação).

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Imagem: 9to5google.com

A previsão é de, em 2025, os centros de dados podem representar até 10% do uso total de eletricidade. Porém, isso não significa que teremos que interromper o uso de IA para solução de diversos problemas. O ideal é adotar soluções viáveis, como usar fontes de energia renovável para alimentar as máquinas. É preciso evoluir sustentavelmente em todos os sentidos.