Um olhar sobre a Agricultura Fluminense

Um olhar sobre a Agricultura Fluminense

Ao percorrer as estradas vicinais do Estado do Rio de Janeiro encontramos um cenário pintado com pincel da mais pura solidariedade humana.

A pandemia do COVID-19 nos mostrou isso, quando os trabalhadores diretos e indiretos, da produção agropecuária, não pararam seus afazeres. Ali, convivem os que produzem, alimentam e sentem fome.

Não atendidos em sua totalidade por uma política com limitada visão de desenvolvimento, eles vivem as ecdises de uma metamorfose e esperam por uma primavera, na qual possam finalmente libertar-se do casulo, para voar e exibir suas belas e saborosas produções.

Eles não precisam despir-se das vaidades, já possuem pés e mãos calejados da lida rural, e ainda estão longe da agricultura 4.0. Com o desmonte das escolas agrícolas do Estado, que já foram 14 e hoje são apenas 5, sabem que será cada vez mais difícil a revitalização da vida produtiva no campo através de seus filhos.

Como gladiadores de uma nova época, transformam sementes em esperanças, ainda que para isso tenham que desnudar o solo, revolver seus segredos e aplicar-lhe estranhos, pela crença da melhor produção. O que sem a devida orientação técnica pode ser danoso para todos, a começar por eles.

O dever de casa começou, em 9 meses foram recolhidas 50 ton de embalagem de produtos agrotóxicos, finalmente o destino correto. Mas nos últimos 12 meses o RJ comercializou 1.200 ton de produtos agrotóxicos, entre biológicos e sintéticos. E o que você sabe sobre quem o recomendou? Quem o aplicou? Quem os consumiu?

Viva os guerreiros da Fênix Serrana! Esses que garantem a geração de renda ao Município de Teresópolis, com seus 5.618 produtores agrícolas, ocupando também o 4º lugar do Estado na produção colhida, com 174.408,50 toneladas, e o 3º lugar no Estado de área colhida 6.375,65 ha, e ainda o 2º lugar em faturamento R$197.059.870,00,. Municípios e gestores não esperem por um novo 2011 de dor e perdas para ressurgirem da lama, vidas não têm preço e o ano agrícola tem lua certa.

Nosso pretinho arrisca circular entre os mais apurados saboreadores, para atesto de sua excelência de gourmet, agregar valor é a saída. São pelo menos 2550 produtores de café que precisam de uma boa dose de Modelo Negocial no setor para firmar-se cada vez mais no mercado, o que poderá elevar o faturamento anual em 10%, em 2 anos, passando para R$ 83.390.988,76, além de gerar mais emprego e renda na zona rural.

Mas se preferir uma cerva bem gelada, em um futuro nada distante, não nos renderemos mais ao lúpulo 100% importado. Das 679 cervejarias artesanais do Brasil 150 estão no Rio de Janeiro e a tecnologia de cultivo dessa trepadeira já não é exclusividade dos países temperados, pois já sabemos de sua eficiência produtiva nas áreas plantadas e sua ótima relação custo-benefício em nossa Serra.

E para quem acha que o mar não está para peixe, o que dizer de um Estado que possui 25 municípios litorâneos, o equivalente a 27% do seu total de municípios, com produção natural de pescado e vida marinha. Onde a tilápia é cultiva em 69 municípios, o equivalente a 75% dos municípios do Estado

E se não nos faltam bocas para consumir, somos 17.366.189 habitantes, o que nos falta para ampliar a produção fluminense? E aquecer esta economia que também nos alimenta? Além de mais investimentos no setor, precisamos da atualização de profissionais, assistência técnica continuada, extensão rural, formação de jovens rurais como estratégia de revitalização das atividades e tecnologias no campo, um olhar mais atento as questões que garantam os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS no campo e na cidade, onde plantaremos mais florestas, cultivaremos mais pastos (Já que dos 47,4% da área do Estado, 26% que representa 540 mil ha, apresentam algum estágio de degradação, de leve a severa), e preservaremos incansavelmente o solo e a água, com produção agropecuária economicamente viável, poderemos contar com 65,2 mil estabelecimentos agropecuários, em um Estado que pode ser uma potência na Agricultura, só não lhe avisaram ainda. 

Uma economia sustentável é possível ou é uma utopia? Com a produção de alimentos seguros e rastreados? Sim, é possível, e está ao alcance do produtor e dos tomadores de decisão, basta acionarem os profissionais de nível superior, efetivamente preparados para o pleito, nossos ENGENHEIROS e nossas ENGENHEIRAS AGRÔNOMAS.

Você precisa estar cadastrado para enviar comentários.
Clique aqui e cadastre-se.