O futuro das profissões de engenharia no Brasil

O futuro das profissões de engenharia no Brasil

Há notoriedade na crescente desvalorização das profissões que envolvem a engenharia no Brasil, não só engenheiros, mas técnicos, tecnólogos, agrônomos, arquitetos e geo cientistas. 

Vamos abordar neste artigo a probabilidade do que será da coletividade e o que os profissionais de cada área poderão fazer para se manterem firmes e crescentes sem abandonar a profissão que escolheram para si. 

Espero que um mundo de possibilidades possa se mostrar, fazendo com que você se levante para a ação ao ler este artigo até o final. 

O Cenário é favorável. Você é quem não quer ver

Particularmente enxergo a coletividade dos profissionais que completam a engenharia brasileira como edificadores de vidas e sociedades. E quando falo da coletividade dos profissionais, falo da união de todos, sendo engenheiros, técnicos, tecnólogos, arquitetos, agrônomos, geocientistas, pedreiros, carpinteiros, da tia do café e do faxineiro, que são igualmente importantes na minha visão, pois todos se completam como um verdadeiro time na construção da vida e da sociedade como já mencionei acima. Então agora você já sabe a quem me refiro quando menciono a palavra "profissionais".

Veja este trecho do livro Quem Pensa Enriquece, de Napoleon Hill, sobre Henry Ford:

Durante a Primeira Guerra Mundial, um jornal de Chicago publicou certos artigos nos quais, entre outras afirmações, Henry Ford era chamado de “pacifista ignorante”. Ford protestou contra as afirmações e processou o jornal por difamação. Em juízo, os advogados do jornal pleitearam uma justificação e chamaram Ford para depor, com o propósito de provar ao júri que ele era ignorante. Fizeram-lhe muitas perguntas, todas com o fim de provar que, conquanto possuísse considerável conhecimento especializado, referente à fabricação de automóveis, não passava, de modo geral, de um ignorante.

Importunaram-no com perguntas como as que se seguem:

“Quem foi Benedict Arnold?” e “Quantos soldados mandaram os ingleses para os Estados Unidos, para debelar a revolução de 1776?” Em resposta à última pergunta, disse Ford: “Não sei o número exato de soldados que os britânicos mandaram, mas sei que era consideravelmente maior do que o que voltou.”

Afinal, Ford cansou-se dessa espécie de perguntas e, em resposta a uma, especialmente ofensiva, debruçou-se, apontou o dedo para o advogado que a fizera e disse: “Se eu quisesse realmente responder a pergunta tola que o senhor acabou de fazer, ou a qualquer outra que me foi feita, deixe-me lembrá-lo de que tenho, na minha mesa, uma fileira de botões elétricos. Se aperto o botão certo, posso chamar a minha presença, para auxiliar-me, homens que podem responder a qualquer pergunta que eu queira fazer, referente ao negócio a que venho devotando os meus esforços. Tenha, pois, a bondade de me dizer porque iria eu atravancar a cabeça com conhecimentos gerais, para poder responder a perguntas, se tenho homens a minha volta, capazes de fornecer qualquer conhecimento exigido?”

Certamente havia muita lógica nessa resposta.

O advogado ficou desconcertado. Todos, no tribunal, compreenderam que era a resposta, não de um ignorante, mas de um homem instruído. Todo homem que sabe onde encontrar o conhecimento de que necessita e sabe organizar esse conhecimento em planos de ação, e um homem instruído. Com a assistência do seu grupo de “Mente Superior”, Henry Ford tinha em seu poder todo o conhecimento especializado de que necessitava, para capacitá-lo a tornar-se um dos homens mais ricos dos Estados Unidos. Não era essencial que tivesse as conhecimentos em sua própria mente.

Estamos falando aqui exatamente de um cenário muito parecido com o que vivemos hoje e se trata "apenas" da estratégia certa para que consigamos criar o ambiente favorável que esperamos para conquistar nossos objetivos. Mas como assim? De qual cenário estamos falando?

Assim como nos tempos de Henry Ford, existia uma acirrada competição pela conquista do mercado de automóveis, onde a inovação era a palavra de ordem para se obter o destaque necessário a esta conquista. 

Fato é que nos dias de hoje, as instituições de ensino lançam milhares de profissionais no mercado com a promessa de que ocupariam uma profissão de prestígio e o mercado rapídamente absorveria estes profissionais, porém sabemos que não é bem assim. Acredito que deveríamos visualizar qualquer formação, seja ela técnica de ensino médio ou uma formação de curso superior como uma "configuração standard" da capacidade de qualquer profissional e ramificá-la de acordo com vocações detalhadas até que tenhamos uma essência, ou seja, especialistas em áreas específicas de atuação para que haja o crescimento da necessidade de equipes cada vez mais multidisciplinares agindo a favor coletividade e, consequentemente, de mais mercado para todos.

Imagine o mercado sendo Henry Ford, sedento cada vez mais por inovação e conhecimento, com botões elétricos em cima de sua mesa e, apertando um botão específico, o seu telefone toca. É exatamente desta forma que hoje precisamos nos colocar a disposição, cada vez mais especializados e cheios de autoridade sobre assuntos e serviços para que, quando o botão do mercado chamar, sejamos os primeiros a sermos lembrados. E isto se aplica de várias formas. Pense comigo:

Estudo de Caso 1

Warren Buffet é conhecido como um ótimo músico, tocador e professor de ukulele. Mas pera, ops, algo errado com essa frase? Não! Ele é realmente ótimo tocador e professor de ukulele, mas este fato se torna obsoleto quando seu nome é singularmente mencionado, pois todos sabemos que ele é o bilionário mais reconhecido do mundo como investidor. O mercado e as circunstâncias, ou melhor, seus resultados o fizeram ser reconhecido assim.

Imagine agora se Warren não fosse especialista dentre milhares de investidores. Talvez ele fosse apenas mais um professor de ukulele meramente reconhecido no seu bairro. Seu destaque, sua ousadia, suas ações e sua especialidade fizeram toda diferença a ponto de transformar uma de suas habilidades em um pequeno detalhe e uma curiosidade em sua vida.

Estudo de Caso 2

Imagine uma fábrica de robôs exatamente idênticos em uma fábrica, todos com as mesmas funções e habilidades programadas, com excessão de um deles, que consegue tomar suas próprias decisões. Com certeza ele seria uma bênção ou um perigo para a comunidade, talvez um revolucionário, mas o fato é que ele seria um destaque e teria a atenção de todos, os prós e os contras, mas alcançaria a todos. Isto você pode assistir no filme Eu, Robô de Alex Proyas, estrelado por Will Smith.

Enquanto milhares de profissionais fazem o que foram programados para fazer e se igualam em uma fábrica de conhecimento, as universidades e instituições de ensino cheias de padrões de estudo, você, como especialista e tomador de suas próprias decisões, tem a liberdade de escolher se quer ou não ser um sucesso em sua área de atuação.

Gatilhos de Mercado e Influências

Conselhos profissionais como CONFEA/CREA, CAU, CFT/CRT, entre outros, nasceram com o objetivo de fiscalizar o exercício e regulamentar as profissões, mas acabam sendo alvos de críticas rigorosas e da culpa de praticamente tudo que os profissionais sofrem, seja por escassez de mercado ou salários baixos. Isto se dá por serem órgãos que arrecadam dinheiro do trabalho dos profissionais e eles tem sim sua parcela de culpa, mas isto é assunto para outro artigo. 

O fato de você precisar pagar uma anuidade ou assinaturas de responsabilidade se torna obsoleto se você está ganhando muito bem com sua profissão, mas se torna um peso enorme se você não tem sequer um emprego. Porém, disso você já sabe, mas o que não sabe é que influências externas acabam transformando você em um contador de historinhas tristes e um ótimo vitimista. Entenda que aqui não estou defendendo o que se faz de ruim, mas estou dizendo é que você deve se incontentar com os erros, mas não deve fazer deles uma desculpa para não se responsabilizar pelos seus resultados.

Lógica simples:

Sumpondo que meu Conselho Profissional me cobra uma anuidade de R$500,00 + valores de assinatura de responsabilidade de R$80,00 por serviço realizado.

Realizo pelo menos 4 trabalhos avulsos mensais de aproximadamente R$ 2.000,00, o que totaliza R$8.000,00, que é o piso salarial aproximado de um engenheiro. Então temos uma equação: 8000 - 500 - (80x4) = 800 - 500 - 320 = R$7.180,00. Valeu a pena! Mas não quer dizer que vou aceitar estas anuidades e taxas para sempre. Podemos sim, ser ativistas a favor da profissão, mas nunca vítimas de um sistema, por mais errado que ele seja. Entenda que você é responsável pela vida que você DECIDIU ter. Portanto, levante-se, faça valer a inteligência concedida a você e decida vencer.

Grupos ativistas tem ajudado você a mudar o seu seu foco para o vitimismo ou lhe incentivado a tomar as rédeas da sua vida e arrancar para o sucesso? Qual a influência externa você tem tido? De grupos de reclamações ou de grupos de solucionadores de problemas? É claro que reclamar é sempre mais cômodo, pois o peso da responsabilidade é sempre melhor nas costas de outros, mas os resultados disso, eu posso garantir, vai ser imensamente mais pesado nas suas costas.

Os Seus "Botões de Ford"

Já pensou em realizar uma ação que pode desencadear mudanças reais na humanidade? Talvez pode ser a humanidade que se localiza no seu país, no seu Estado, bairro e até mesmo na sua casa. Não importa, contanto que você tome uma atitude e se levante agora mesmo.

Assim como Ford, você pode fazer com que suas atitudes acionem pessoas que façam coisas para você, criando uma equipe multidisciplinar de executores do seu plano perfeito. 

Se você trabalha como profissional de engenharia, está acostumado com planejamento, orçamentos, muitas teorias, execuções, etc. Então vou citar apenas dois caminhos que podem levar a caminhos extraordinários.

Eu, Empreendedor(a)

Serei responsável pelo meu próprio negócio, parando de executar minhas tarefas e vou começar a delegar funções, me transformando em um exelente gestor. Isto é exatamente o que os milionários e bilionários fazem. Eles não são apenas engenheiros, médicos, arquitetos ou seja lá em que se formaram. Eles são, acima de qualquer coisa, excelentes gestores.

Eu, Educador(a)

Detentores de tanto conhecimento, profissionais de todas as áreas têm se dedicado a ensinar às "configurações standart" a serem especialistas, ou seja, desenvolvem cursos presenciais e online, escrevem livros, produzem conteúdo em vídeo, entre outros métodos. O negócio aqui é entender que você pode produzir conhecimento para quem precisa e através disto outros profissionais vão executar tais ensinamentos no dia a dia ou podem até mesmo serem seus afiliados, vendendo seu conteúdo em troca de comissões. Para isto existem plataformas como Eduzz, Hotmart e Monetizze.

Me Fala! E o futuro?

Bem, neste artigo eu prometi que vamos prever o futuro, não só da engenharia, mas vamos gerar uma previsão do que vai ser de você no futuro. Claro que vou te lembrar que depende exclusivamente de você tomar uma atitude ou não.

Se formos analisar com muito detalhe, vamos concluir que precisamos nos preparar para um mercado cada vez mais competitivo, onde qualquer um vai se habilitar para assumir qualquer cargo ou função dentro das profissões que completam a engenharia brasileira, pois estamos muito próximos de enfrentarmos uma desregulamentação pesada por inúmeros motivos.

A falta de regulamentação através da criação de vários Conselhos Profissionais permitindo através de resoluções que seus profissionais registrados executem funções antes atribuídas a grupos específicos.

Pode ser perigoso, mas talvez necessário e já está acontecendo.

Exemplos são, em primeiro lugar, a criação do CAU-BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) em 15 de dezembro de 2011, marcando a saída dos arquitetos do sistema CONFEA/CREA e em sequência a criação do CFT(Conselho Federal dos Técnicos), em junho de 2018, marcando a saída dos técnicos industriais do mesmo sistema, ambos com alegações parecidas, mas com objetivos claros de dar mais atenção às suas classes.

O grande problema é que cada Conselho criado, através de resoluções, tem buscado atribuições comuns, por muitas vezes desafiando profissionais de outra "tribo", o que acaba se tornando verdadeiras facções em guerra por muitas vezes.

Recentemente engenheiros eletricistas criaram o Conselho Federal de Engenharia Elétrica e os engenheiros civis especulam a criação do Conselho Federal de Engenharia Civil. Perceberam que somos capazes, diante desta situação, prever um futuro onde das profissões vão acabar em uma desregulamentação e qualquer pessoa vai acabar por acabar fazendo o que quiser, pois desta forma, os Conselhos que regulamentam profissões vão acabar por se extinguirem a si mesmos. 

Então fica uma pergunta no ar: O filho do seu vizinho, com 15 anos de idade, que desenvolve aplicativos e constrói placas de computador, vai ser punido por algum Conselho por estar desempenhando a profissão destinada a engenheiros de computação ou técnicos de T.I? 

Conclue-se que o futuro será dos mais bem preparados e especialistas em suas áreas de atuação. Será daqueles que se destacam pelos bons serviços realizados e não por aqueles que terminam cursos técnicos ou se formam em universidade.

O futuro é seu!!! E só você pode decidir o que vai se tornar.

Agradeço sua leitura até aqui. Caso tenha observações, comentários ou até mesmo críticas, pode me chamar no Instagram. Terei imenso prazer em responder e debater ideias com você!

Vamos empreender a vida!

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