Fiscalizar quem ou o que? Eis a questão.

Fiscalizar quem ou o que? Eis a questão.

Fato é que há uma confusão enorme sobre o real papel que o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) deve cumprir. 

Neste artigo vamos mostrar que mesmo tendo a obrigação de proteger a sociedade através da fiscalização de profissionais de engenharia, há um equívoco muito grande, se tornando quase impossível, quando o CREA se diz apto a fiscalizar e regulamentar todas as engenharias agredadas a si.

É quase impossível ver profissionais de engenharia, quando conversam sobre fiscalização, mencionar qualquer outra engenharia que não seja a civil. Parece que o Conselho foi feito somente para fiscalizar engenheiros civis enquanto as demais engenharias, tão perigosas quanto a civil, nunca sequer são pensadas.

Um claro exemplo está na Engenharia de Computação e Software. Quem, por acaso, seria capaz de fiscalizar, autuar ou até mesmo impedir um jovem ou adolescente de 15 ou 16 anos de desenvolver um software, criar placas ou fazer manutenção de redes computacionais? No entanto, quando um pedreiro contrói sua própria casa e a fiscalização não vê uma placa na frente da construção, o "leigo" logo é autuado e punido. E como um desenvolvedor de software colocaria uma placa pendurada no seu computador com  número do CREA de um engenheiro responsável?

Já parou pra pensar nisso?

O CREA puxou para si a regulamentação de todas as profissões que levam o nome ENGENHARIA, mas nem sequer possui câmaras especializadas para cada uma delas.

Façamos um pequeno teste: vamos até uma reunião plenária no CREA, peça a qualquer profissional pertencente a câmara de elétrica que representa também a computação e tente tirar dúvidas sobre computação. Surpresa seria se qualquer um pelo menos soubesse programar. Mal conseguem operar no Word o Excel.

O que poderíamos dizer sobre engenheiros de som? A fiscalização seria capaz de frequentar estúdios ou casas das pessoas que criam sons em sintetizadores? Como fiscalizar? Entre outras engenharias, nós vemos que o CREA não tem capacidade, nem de fiscalizar, muito menos de regulamentar tais profissões. 

O que resta? Jogar toda carga em cima dos engenheiros civis.

Outro fato claro é sobre a confusão que há sobre quem ou o que o CREA fiscaliza. Na verdade inúmeros profissionais, novos ou antigos, pensam claramente que o CREA nasceu para fiscalizar obras, quando na verdade nasceu para fiscalizar o profissional que usa o nome de engenheiro e não é engenheiro na área em que está sendo fiscalizado. Incrível, mas muitos nem sabem para que existe o sistema. 

Diz no site do CREA:

O objetivo da Fiscalização é verificar o exercício profissional da Engenharia e Agronomia, nos seus níveis superior e médio, de forma a assegurar a prestação de serviços técnicos ou execução de obras com participação de profissional habilitado e observância de princípios éticos, econômicos, tecnológicos e ambientais compatíveis com as necessidades da sociedade.

A Fiscalização deve apresentar caráter coercitivo, educativo e preventivo. Sob o aspecto educativo, deverá a Fiscalização do Crea orientar os profissionais, órgãos públicos, dirigentes de empresas e outros segmentos sociais sobre a legislação que regulamenta o exercício das profissões abrangidas pelo Sistema CONFEA/Crea e os direitos da sociedade. Sob o enfoque punitivo, deverá ser rigorosa e célere.

Estão sujeitos à Fiscalização as pessoas físicas - leigos ou profissionais - e as pessoas jurídicas que executam ou se constituam para executar serviços ou obras de Engenharia ou de Agronomia.

E o que você acha sobre o assunto? Polêmico! 

Fala mais pra mim nos comentários.

 

Comentários

1 comentários

Aqui já disse tudo, "O que resta? Jogar toda carga em cima dos engenheiros civis." melhor seria assim fazer um CREC, ou seja, somente engenheiros civis, e desmembrar todos os engenheiros.

Você precisa estar cadastrado para enviar comentários.
Clique aqui e cadastre-se.